segunda-feira, 22 de agosto de 2011

ARTE NO CAFÉ COM LEITE

Após ter assistido por alguns anos a essas formas maravilhosas brotando na superfície do café, hoje eu penso nelas como um "CAPTURED FLOW" (Capturar e conter numa xícara algo que estava em movimento). Para mim, a beleza das rosettas ou dos corações sempre foi a tentativa de congelar no tempo algo que estava tão tênue e efêmero. Agora eu as considero uma arte legítima e não mais somente um acabamento para um espresso de boa qualidade.
O modo de ensinar essa arte também evoluiu ao longo do tempo. Agora, antes de tudo, ensinamos a despejar o leite. Essa técnica é conhecida como "FREE POUR", na qual o leite é vaporizado após atingir uma textura bem aveludada e o desenho é feito sem o uso de outros utensílios além da leiteira. Desencorajamos qualquer invencionice feita com a leiteira, ou qualquer outra invenção que tente direcionar o fluxo. De fato, costumo dizer que se soubermos  manter o fluxo do leite, qualquer coisa que nós despejarmos ficará lindo desde o primeiro dia em uma cafeteria. Em contrapartida, LATTE ART sem fluxo é algo que me parece uma flor atopelada por um caminhão.
Mais o que exatamente eu quero dizer com o "fluxo"? Quero dizer a velocidade com que o leite corre ao sair da leiteira(pitcher). Basicamente, é um fluxo lento-rápido-lento, feito enquanto se desenham as imagens.
Assim como os desenhos de areia tibetanos, o latte art é efêmero, perdendo a sua textura e seu brilho em cerca de um minuto. O curioso, é que, muitas vezes, os clientes dizem "É tão bonito que dá até pena de beber". O que costumo responder? "Não tem problema, amanhã eu faço outro pra você".
"A arte continuará sendo celebrada."



Por: Neto Menezes